Mais hormonios ou mais receptores? O que é melhor para aumento de massa muscular?
- 30 de mar. de 2024
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O estudo conduzido por Morton e Phillips (2018) examinou os fatores subjacentes à heterogeneidade na hipertrofia muscular esquelética induzida pelo treinamento de resistência (RET) em homens jovens treinados em resistência. Este estudo foi meticuloso na análise dos hormônios circulantes, hormônios intramusculares, o conteúdo de enzimas esteroidogênicas intramusculares e o conteúdo de receptores androgênicos. O objetivo era entender melhor como esses fatores contribuem para as diferenças individuais na hipertrofia muscular observada após um regime de treinamento de resistência.
Metodologia
O estudo incluiu 49 homens jovens, todos com experiência prévia em treinamento de resistência. Eles foram submetidos a 12 semanas de RET e foram avaliados antes e depois do treinamento em várias frentes: análises de sangue para avaliar hormônios circulantes, análises de tecido muscular para medir hormônios intramusculares e o conteúdo de enzimas esteroidogênicas, e avaliações de massa e área de secção transversal (CSA) dos músculos para medir hipertrofia. Especificamente, foi dada atenção ao conteúdo do receptor androgênico muscular, níveis de testosterona livre intramuscular, dihidrotestosterona (DHT), expressão de 5α-redutase e variações na massa magra corporal (LBM) e CSA do tipo 1 e tipo 2.
Resultados Principais
Os resultados demonstraram que, contrariamente à hipótese inicial dos pesquisadores, não houve uma relação consistente entre os hormônios circulantes (ou os níveis desses hormônios após o exercício) e as mudanças na hipertrofia muscular. Notavelmente, o estudo identificou que o conteúdo do receptor androgênico intramuscular, mas não os hormônios circulantes ou intramusculares, estava associado à hipertrofia muscular esquelética induzida pelo RET. Além disso, foi observado que o conteúdo do receptor androgênico era significativamente maior nos altos respondedores (HIR) em comparação aos baixos respondedores (LOR) à hipertrofia muscular, independentemente das mudanças nos níveis hormonais.
Discussão Aprofundada sobre Altos e Baixos Respondedores
A diferenciação entre altos e baixos respondedores é uma contribuição significativa deste estudo, enfatizando a variação individual na resposta ao treinamento de resistência. Os altos respondedores mostraram não apenas maior hipertrofia muscular mas também um conteúdo aumentado do receptor androgênico intramuscular, um achado que sugere um mecanismo pelo qual a sensibilidade ou a capacidade de sinalização androgênica intramuscular pode influenciar positivamente a adaptação muscular ao treinamento de resistência. Interessantemente, a expressão da 5α-redutase aumentou nos HIR após o RET, mas não nos LOR, sugerindo que as vias de sinalização androgênicas, particularmente aquelas mediadas pela DHT, podem desempenhar um papel crucial na modulação da resposta anabólica ao treinamento.
Relevância para o Aumento de Massa Muscular
Esta descoberta tem implicações significativas para a compreensão de como a hipertrofia muscular é alcançada através do treinamento de resistência, destacando a importância dos fatores intramusculares sobre os hormônios circulantes. Isso indica que, para maximizar a resposta anabólica ao treinamento, pode ser mais crítico considerar a capacidade do músculo para responder aos sinais androgênicos do que simplesmente aumentar os níveis de hormônios anabólicos circulantes. Ademais, essa descoberta pode ajudar a explicar por que algumas pessoas experimentam ganhos musculares significativos com o treinamento de resistência enquanto outras veem resultados moderados, apesar de esforços semelhantes e níveis hormonais comparáveis.
Conclusão
Em resumo, o estudo de Morton e Phillips (2018) fornece evidências valiosas de que o conteúdo do receptor androgênico intramuscular, e não os níveis de hormônios sistêmicos ou intramusculares, é um determinante chave na hipertrofia muscular induzida pelo treinamento de resistência. Essas descobertas desafiam a noção tradicional de que os hormônios circulantes desempenham o papel principal na mediação dos efeitos do treinamento sobre o crescimento muscular e destacam a complexidade dos mecanismos envolvidos na adaptação muscular ao treinamento de resistência.

FIGURA 4 | Correlações entre o conteúdo de receptores androgênicos intramusculares pré-intervenção e alterações na massa muscular. As correlações são apresentadas em painéis para: (A) CSA tipo 1 (r = 0,51, P = 0,03), (B) CSA tipo 2 (r = 0,61, P <0,01) e (C) LBM (r = 0,76, P <0,01) e (C) LBM (r = 0,76, P <0,01). 0,01). Em (C), o valor discrepante que foi removido da análise correlacional entre o conteúdo do receptor andrógeno pré-intervenção e o LBM está incluído na figura como um (X).

Reference: Morton, R. W., Sato, K., Gallaugher, M. P. B., Oikawa, S. Y., McNicholas, P. D., Fujita, S., & Phillips, S. M. (2018). Muscle androgen receptor content, but not systemic hormones, is associated with resistance training-induced skeletal muscle hypertrophy in healthy young men. Frontiers in Physiology, 9, 1373.




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