Consumo de cigarro massa muscular e performance
- Henrique Pereira
- 26 de jan. de 2025
- 4 min de leitura
O cigarro afeta negativamente o ganho de massa muscular e força através de múltiplos mecanismos fisiológicos, e a cessação do tabagismo pode reverter muitos desses efeitos.
Impacto do cigarro na massa muscular e força:
Redução da massa muscular: O tabagismo induz a perda de massa muscular. Estudos em humanos e modelos animais mostram que fumar leva à atrofia das fibras musculares, com uma diminuição na área de secção transversal das fibras. Essa perda ocorre devido ao aumento da degradação de proteínas e à redução da síntese proteica.
Diminuição da força muscular: Fumantes podem experimentar uma redução na capacidade máxima de geração de força dos músculos. Embora alguns estudos não mostrem uma diferença na força muscular quando comparado com indivíduos não fumantes de níveis de atividade física semelhantes, outros demonstram uma redução na força muscular. Um estudo longitudinal em jovens saudáveis indicou que fumar 100 g de tabaco por semana estava associado a uma redução de 2,9 a 5% na força muscular em 15 anos, independentemente da atividade física.
Ativação muscular: Apesar da perda de massa muscular, fumantes podem ter uma capacidade maior de ativar seus músculos voluntariamente. Isso pode ser devido ao aumento da atividade nervosa simpática causada pela nicotina.
Vias fisiológicas afetadas:
Proteólise: O cigarro aumenta a expressão de fatores que regulam a degradação de proteínas musculares, como o MAFBx e o MuRF1. Essas proteínas levam à quebra de proteínas musculares.
Síntese de proteínas: O tabagismo reduz a síntese de proteínas musculares, em parte devido ao aumento da expressão de miostatina, que inibe o crescimento muscular. Componentes do cigarro, como acetaldeído e acroleína, também podem reduzir diretamente a síntese proteica.
Inflamação: O cigarro eleva os níveis de citocinas pró-inflamatórias, como o TNF-α e a IL-6, que contribuem para a perda muscular através do aumento da proteólise e inibição da síntese proteica.
Entrega de oxigênio: O tabagismo aumenta a resistência vascular e piora a resposta vasodilatadora, reduzindo o fluxo sanguíneo e a entrega de oxigênio aos músculos. O monóxido de carbono (CO) na fumaça do cigarro reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio e dificulta a entrega aos músculos, além de prejudicar a difusão de oxigênio dentro das células musculares.
Função mitocondrial: O cigarro interfere na cadeia respiratória mitocondrial, prejudicando a produção de ATP. Substâncias como cianeto e CO inibem a citocromo-c oxidase, essencial para a produção de energia nas mitocôndrias. A disfunção mitocondrial também aumenta a produção de espécies reativas de oxigênio, que causam dano oxidativo às proteínas musculares.

Reversão com a cessação do tabagismo:
Recuperação da massa muscular: A cessação do tabagismo pode reverter a perda de massa muscular. Estudos mostram que a massa muscular, especialmente a massa magra, melhora após a cessação. A atrofia muscular observada em fumantes pode ser revertida, e ex-fumantes não apresentam atrofia muscular comparável aos não-fumantes. Em modelos animais, 60 dias de cessação do tabagismo foram suficientes para restaurar a massa muscular do músculo sóleo.
Recuperação da função muscular: Ex-fumantes apresentam uma força muscular e massa magra semelhantes aos não fumantes. Isso sugere que a recuperação da massa muscular está associada à normalização da função muscular.
Melhora da função mitocondrial e vascular: A cessação do tabagismo pode restaurar a função mitocondrial e vascular, melhorando a entrega de oxigênio aos músculos. Estudos em linfócitos mostram que a cessação do tabagismo por 24 horas a 7 dias resulta na restauração das atividades mitocondriais.
Tempo médio para recuperação das funções pulmonares e musculares:
Funções pulmonares: Embora o estudo se concentre nos efeitos musculares, ele também indica que os efeitos da inflamação pulmonar induzida pelo cigarro retornam a níveis semelhantes aos controles dentro de duas semanas após a cessação do tabagismo. No entanto, os efeitos a longo prazo nos pulmões, como o enfisema, podem não ser completamente reversíveis.
Funções musculares:
Melhoras rápidas: O estudo mostra que apenas duas semanas de cessação do tabagismo foram suficientes para reverter a disfunção mitocondrial induzida pelo fumo, a perda de massa muscular e a atrofia muscular diafragmática em ratos.
Recuperação da massa muscular: A massa muscular, especialmente a massa magra, pode começar a aumentar dentro de uma a duas semanas após a cessação do tabagismo. A normalização da massa muscular do músculo sóleo pode ocorrer em 60 dias.
Função mitocondrial: A função mitocondrial começa a melhorar dentro de 24 horas a 7 dias após a cessação do tabagismo, com uma recuperação completa em duas semanas em modelos animais. A exposição aguda de músculos a extratos de cigarro causa redução na respiração mitocondrial, que é rapidamente revertida com a remoção do extrato, indicando que os efeitos do cigarro nas mitocôndrias podem ser prontamente revertidos.
Função vascular: A função vascular e a resposta vasodilatadora podem começar a normalizar após a cessação do tabagismo, o que também contribui para a melhora na entrega de oxigênio aos músculos.
Diafragma: O diafragma, um músculo particularmente sensível aos efeitos do cigarro, pode mostrar melhora em sua estrutura em duas semanas após a cessação do tabagismo, com o aumento da área de secção transversal das fibras musculares.
Em resumo, a cessação do tabagismo tem benefícios imediatos na saúde muscular e pulmonar, com melhorias significativas ocorrendo dentro de duas semanas. A recuperação completa pode levar mais tempo, mas as primeiras semanas são cruciais para reverter os danos induzidos pelo tabagismo. É importante notar que os estudos em humanos e modelos animais sugerem que os efeitos musculares do tabagismo são amplamente reversíveis com a cessação, e que o tempo para a recuperação completa varia dependendo do parâmetro muscular avaliado e do tempo de exposição ao cigarro.





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